deuscuidademim.jpg A história de Acabe e Jezabel não aparece por acaso nas Escrituras. Essa união trouxe somente dificuldades, primeiro para o próprio rei Acabe, depois, para seus descendentes, para toda a nação e, finalmente, para Judá, a nação escolhida de Deus.
Com a entrada do pecado, Deus anteviu que no casamento poderia haver uma competição pelo poder. Para evitar que essa disputa destruísse o casamento e a personalidade de cada um, deixou-nos especificado qual deveria ser o padrão neste relacionamento: "O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará" (Gn 3:16).
Se esse padrão fosse seguido como Deus o planejou, sendo "o marido o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo" (Ef 5:23), haveria amor e respeito no lar. Por outro lado, invertendo-se os papéis, quando a mulher é quem exerce a autoridade, ou quando o esposo é autoritário, o plano de Deus é pervertido e a infelicidade toma conta do relacionamento. E, como aconteceu no lar de Acabe e Jezabel, que exerciam um cargo de grande influência, pode se tornar um verdadeiro desatino de conseqüências bem mais amplas, inclusive para seus descendentes.
Exatamente por isso somos aconselhados: "Em sua união vitalícia, as afeições deverão ser tributárias à felicidade mútua. Cada um deve promover a felicidade do outro. Esta é a vontade de Deus a seu respeito. Mas, ao mesmo tempo que se devem unir em um só ser, nenhum de vocês deverá perder na do outro, sua própria individualidade. Deus é o dono de sua individualidade. A Ele vocês devem perguntar: Que é direito? Que é errado? Como poderei eu melhor cumprir o propósito de minha criação?" (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 95,).
Quando lemos nas Escrituras a história deste casal, um fato evidente é destacado: o rei Acabe era comandado pela esposa: "Ninguém fora como Acabe, que se vendera para fazer o que era mau aos olhos do Senhor; porque Jezabel, sua mulher, o instigava" (1Rs 21:25) (grifo acrescentado)
Diz Ellen White: "O Senhor constituiu o marido como a cabeça da mulher, para ser-lhe protetor, o laço de união da família, unindo os membros entre si, da mesma forma que Cristo é a cabeça da igreja, e o Salvador do corpo místico. Que cada esposo que alega amar a Deus estude cuidadosamente os reclamos de Deus no que respeita a sua posição" (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 215).
Acabe, o rei que "perdeu a cabeça"
Diante desta citação poderíamos afirmar, sem medo de errar, que Acabe foi o rei que "perdeu a cabeça", ou seja, permitiu que a esposa, a ímpia rainha Jezabel, determinasse as suas ações e ainda mais: assumisse o controle da nação. Em seu lar, ela era o cabeça, e não o esposo e rei.
Descrevendo a personalidade de Jezabel e de Acabe, Ellen White afirma que, enquanto a rainha era idólatra, de caráter decisivo e temperamento definido, Acabe era fraco em capacidade moral, destituído de princípio, sem nenhuma alta norma de reto proceder, e egoísta. Desta forma "seu caráter foi facilmente modelado pelo espírito determinado de Jezabel." (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 115 - grifo acrescentado).
Desde o início de sua união, seu casamento foi desastroso. Ele "tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou" (1Rs 16:31).
Além de abandonar o culto ao verdadeiro Deus, ele foi além, patrocinando o culto idólatra, uma vez que "Acabe...sob a liderança de Jezabel construiu altares pagãos em muitos lugares altos." (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 114 - grifo acrescentado).
Quando Elias profetizou a seca por três anos e meio, e esta aconteceu, "instigado pela rainha, Acabe instituiu a mais diligente busca para descobrir o lugar do esconderijo do profeta" (Ibid. p. 126 - grifo acrescentado).
"Fracassando em seus esforços contra Elias, Jezabel determinou vingar-se matando todos os profetas de Jeová em Israel. Nenhum devia ser deixado vivo. A enfurecida mulher executou o seu propósito no massacre de muitos servos de Deus"(Ibid. - grifo acrescentado).
Após a vitória de Elias no Carmelo, o profeta imaginava que "Jezabel não mais teria influência sobre a mente de Acabe, e que haveria uma imediata reforma em todo o Israel" (Ibid. p. 160 - grifo acrescentado).
Mas não foi isso o que aconteceu. "Contando Acabe à rainha o morticínio dos profetas idólatras, Jezabel, endurecida e impenitente, ficou enfurecida... e, desafiadora ainda, ousadamente declarou que Elias devia morrer" (Ibid. p. 159 - grifo acrescentado).
"A má influência que desde o início Jezabel havia exercido sobre Acabe continuou durante os últimos anos de sua vida, e deu frutos em obras de vergonha e violência, tais como raramente têm sido igualadas na História Sacra" (Ibid. p. 204 - grifo acrescentado).
A influência perniciosa de Jezabel apenas ajudou a fortalecer seu mau caráter. No caso da compra da vinha de Nabote, está escrito:
"De uma disposição cobiçosa por natureza, Acabe, fortalecido e sustentado na prática do mal por Jezabel, tinha seguido os ditames de seu mau coração, até que ficou inteiramente controlado pelo espírito de egocentrismo" (Ibid. p. 204).
Quando Jezabel exclamou irada: "Governas tu, com efeito, sobre Israel?" (1Rs 21:7), a resposta evidente é NÃO! Quem governava, e o fazia com mão de ferro, conforme todos os textos lidos anteriormente, era ela. Ele apenas fazia aquilo que ela lhe ordenava. E isso fica ainda mais patente quando, após a trama e a morte de Nabote, ela "ordenou-lhe [ao rei Acabe] que se levantasse e tomasse posse da vinha. E Acabe, indiferente às conseqüências, cegamente seguiu-lhe o conselho, e desceu para tomar posse da cobiçada propriedade" (Ibid. p. 206 - grifo acrescentado).
Uma mãe déspota
Depois da morte de Acabe, ela ainda exercia sua nefasta influência sobre seus filhos, Acazias e Jorão. É dito de Acazias: "e reinou dois anos sobre Israel. Fez o que era mau perante o Senhor; porque andou nos caminhos de seu pai, como também nos caminhos de sua mãe" (1Rs 22: 52-53 - grifo acrescentado)
Falando sobre o reinado de Jorão, Ellen White comenta: "Como Acazias não tivesse filhos, foi sucedido por Jorão, seu irmão, o qual reinou sobre as dez tribos por doze anos. Durante esses anos sua mãe, Jezabel, ainda vivia, e continuava a exercer sua má influência sobre os negócios da nação. Costumes idólatras eram ainda praticados por muitos dentre o povo. O próprio Jorão ‘fez o que era mau perante o Senhor; porém não como seu pai, nem como sua mãe, porque tirou a estátua de Baal, que seu pai fizera’ (2Rs 3:2)" (Profetas e Reis, p. 212, grifo acrescentado).
A má influência de Jezabel prosseguiu
A influência negativa de Jezabel e Acabe não foi limitada apenas ao reino do Norte, Israel, mas chegou ao reino do Sul, através de casamentos.
O texto bíblico mostra que a idolatria permeou o reino de Judá, por dois descendentes de Jezabel, enquanto esta ainda vivia. Assim, falando sobre Jeorão, filho do fiel rei Josafá, é dito que ele "andou nos caminhos dos reis de Israel, como também fizeram os da casa de Acabe, porque a filha deste (Atalia), era sua mulher; e fez o que era mau perante o Senhor" (2Rs 8:18 - grifo e parêntesis acrescentados).
O filho de Jeorão, Acazias, que reinou em Jerusalém "reinou apenas um ano, e durante esse tempo, influenciado por sua mãe, Atalia, ‘sua conselheira, para obrar impiamente", "andou nos caminhos da casa de Acabe", ‘e fez o que era mau aos olhos do Senhor" (2Cr 22:3 e 4). Jezabel, sua avó, vivia ainda, e ele se aliou ousadamente com Jorão de Israel, seu tio" (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 214 – grifo acrescentado).
Atalia, filha de Jezabel quando soube que seu filho, Acazias, havia sido morto, "levantou-se, e destruiu toda a descendência real". Nesse massacre todos os descendentes de Davi que eram elegíveis ao trono foram destruídos, salvo um, uma criança de nome Joás, a quem a esposa de Joiada, o sumo sacerdote, escondeu nas recâmaras do templo. Durante seis anos a criança permaneceu ali escondida, enquanto "Atalia reinava sobre a terra" (2Rs 10:11, 19, 28) (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 215).
Somente quando Atalia foi executada foi que a terra viu-se livre da influência nefasta da cruel Jezabel e de seus descendentes, e o povo de Deus voltou-se para Ele.
"O terrível mal que se produzira através de sua aliança (de Acabe) com Jezabel continuou até que o último de seus descendentes foi destruído. Mesmo na terra de Judá, onde a adoração ao Deus verdadeiro jamais havia sido posta de lado, Atalia foi bem-sucedida em seduzir a muitos. Imediatamente após a execução da impenitente rainha, ‘todo o povo da terra entrou na casa de Baal, e a derribaram, como também os seus altares, e as suas imagens totalmente quebraram, e a Matã, sacerdote de Baal, mataram perante os altares’" (2Rs 11:18, Ibid.. p. 216 - parêntese acrescentado).
Até a terceira e quarta gerações
Da história do casamento de Acabe e Jezabel, vemos que até a terceira geração foi afetada não só pelos pecados por eles cometidos, mas por suas falhas de caráter. E é exatamente por isso que o Senhor nos adverte: "O Senhor é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniqüidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta gerações" (Nm 14:18).
Um mau casamento sempre trará infelicidade
Desejoso de que os casamentos hoje sejam bem-sucedidos, tornem-se lares felizes e fiéis, o Senhor deixou-nos um precioso conselho que precisa ser transmitido especialmente aos rapazes e moças sonhadores da igreja. Em especial àqueles que julgam de pequena monta o jugo desigual.
"Caso aqueles que pensam em casar-se não queiram fazer amargas, infelizes reflexões depois do casamento, precisam torná-lo objeto de considerações sérias, atentas agora. Dado precipitadamente, esse passo é um dos meios mais eficazes para arruinar a utilidade de rapazes e moças. A vida se torna um fardo, uma maldição. Pessoa alguma pode com mais eficácia estragar a felicidade e a utilidade de uma mulher, e tornar-lhe a vida mais pungente fardo, que seu marido; e ninguém pode fazer a centésima parte para desperdiçar as esperanças e aspirações de um homem, para lhe paralisar as energias e arruinar-lhe a influência e as perspectivas, como sua própria esposa. É da hora de seu enlace matrimonial que muitos homens e mulheres datam seu êxito ou fracasso nesta vida, e suas esperanças de existência futura" (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 43).
O casamento de Acabe com Jezabel comprova esta grande verdade!

Sonia Rigoli Santos
Diretora dos Ministérios da Mulher
e AFAM da Associação Sul- Paranaense
Graduada e Mestre em Teologia pelo UNASP