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Conta certa lenda, que um pintor famoso do século dezenove, ao receber a tarefa de pintar um mural para um cardeal, deparou-se com uma grande dificuldade:

Precisava pintar, no mesmo mural, uma figura humana que representasse a imagem do bem e outra que representasse a imagem do mal.

Tendo dificuldade para retratar as imagens do bem e do mal, interrompeu o trabalho no meio, até que conseguisse encontrar os modelos ideais.

Certo dia, enquanto assistia um coral, viu em um dos cantores a imagem perfeita do bem. Convidou-o para o seu ateliê, e reproduziu seus traços em estudos e esboços.

Passaram-se três anos.

A obra estava quase pronta, mas o pintor ainda não havia encontrado o modelo ideal que representasse o mal. O cardeal, responsável pela encomenda do mural, começou a pressioná-lo, exigindo que terminasse logo a obra.

Depois de muitos dias procurando, o pintor finalmente encontrou um jovem prematuramente envelhecido, bêbado, esfarrapado, atirado na sarjeta. Imediatamente pediu aos seus assistentes para que o levassem até seu ateliê.

O pintor copiava as linhas da impiedade, do pecado, do egoísmo, tão bem delineadas na face do mendigo que mal conseguia parar em pé.

Quando terminou, o jovem - já um pouco refeito da bebedeira - abriu os olhos e notou a pintura à sua frente. E disse, numa mistura de espanto e tristeza:

- Eu já vi este mural antes!

- Quando? - perguntou surpreso o pintor.

- Há três anos atrás, antes de eu perder tudo o que tinha. Numa época em que eu cantava num coro, tinha uma vida cheia de sonhos, e o artista me convidou para posar como modelo para a face do bem.

O Bem e o Mal têm a mesma face; tudo depende apenas da época em que cruzam o caminho de cada ser humano.

Olhe em sua volta!