Texto Bíblico: Mateus 4:18-22; Marcos 1:16-20; Lucas 5:1-11.
Comentário: O Deseado de Todas as Nações, capítulo 25.
Verso Bíblico: Lucas 5:8-11.

SINOPSE
Pedro e os outros pescadores -  seu irmão André e seus amigos Tiago e João — tinham acabado de sair de uma noite de pesca difícil e frustrante. Não tinham conseguido pescar nenhum peixe sequer. Ao raiar do dia, Jesus pediu que jogassem as redes novamente. Pedro duvidou, mas arriscou confiar em Jesus. Dessa vez, a rede voltou repleta de peixes e Pedro convenceu-se de que tinha presenciado um verdadeiro milagre. Crente de que Jesus era apenas mais um grande mestre, Pedro foi tomado pelo senso de estar em pecado e caiu de joelhos aos pés de Cristo. Pediu que Jesus saísse de sua presença, pois não se sentia digno de estar na presença de Alguém que poderia ser o tão esperado Messias. Ao invés de partir, Jesus convidou Pedro e os outros pescadores a segui-Lo. Imediatamente eles aceitaram o convite, deixando tudo para trás.
Jesus ainda hoje convida as pessoas -  inclusive os jovens -  para deixar tudo para trás e segui-Lo. Mas o que devemos deixar para trás? Nossa família, nosso trabalho e o sustento assim como os pescadores fizeram? Qual o significado desse convite para os jovens que ainda moram com os pais, freqüentam a escola e planejam ter uma carreira no futuro? Qual o comprometimento que Jesus espera que tenhamos em pleno século 21? A lição desta semana analisará algumas dessas perguntas.


Eis os objetivos para seus alunos:
• Saber que Deus convida as pessoas a deixarem tudo para trás e segui-Lo. (Saber)
• Sentir a presença de Deus e o Seu convite à sua vida. (Sentir)
• Escolher aceitar o convite de Deus e seguir a Jesus. (Responder)

PARA O PROFESSOR EXPLORAR
• Propósito
• Discipulado
• Obediência


Atividade
Para cada resposta, pergunte: “Por que você acha que alguém diria isso? Por que a idéia de seguir a Jesus pode gerar esse tipo de reação?”
Pergunte: “Em sua vida, o que o impede de seguir a Jesus completamente?” Instrua-os a pensarem em possíveis respostas e escreva- as na lousa. Em seguida, ao lado das respostas dadas, peça que falem dos benefícios de seguir a Jesus - o que ganhamos ao aceitar Seu convite? Os benefícios superam as coisas que tivemos que deixar para trás?

Ilustração
Ainda jovem, William Wilberforce tinha uma brilhante carreira política à sua frente. Ingressou no Parlamento Inglês aos 21 anos, um dos homens mais jovens que conseguiu tamanha façanha. Era rico, tinha estudado nas melhores escolas e falava muito bem em público. Tinha tudo para ser um grande sucesso.
Logo depois que sua carreira política começou, William Wilberforce converteu-se ao cristianismo e decidiu dedicar completamente sua vida a Deus. Pensou em abandonar a política, talvez a chance de se tornar um ministro, para dedicar-se inteiramente à obra de Deus.
Consultou a opinião de várias pessoas de sua confiança, inclusive a de seu pastor John Newton, autor do hino “Graça Excelsa”, HASD, 208. Newton, que tinha sido o capitão de um navio negreiro antes de sua conversão, aconselhou Wilberforce, assim como outras pessoas, a continuar na política e servir a Deus ao mesmo tempo.
Em vez de desistir de sua carreira política para seguir a Deus, Wilberforce dedicou sua carreira a Deus. Trabalhou incansavelmente por mais de 20 anos para acabar com a escravidão, o que em sua opinião era um dos piores erros da humanidade. Apesar de alguns reveses e de uma saúde frágil, Wilberforce continuou a lutar no Parlamento por aqueles que sofriam as conseqüências da escravidão. Por fim, seus esforços foram recompensados. Primeiro a abolição do comércio de escravos e, depois, um pouco antes de sua morte, a abolição da escravatura e a libertação de todos os escravos do Império Britânico (mais de 30 anos antes da América do Norte abolir a escravatura durante a guerra civil).
Wilberforce foi um exemplo de jovem que decidiu aceitar o convite: “Segue-Me.” Não abandonou sua carreira, mas mudou todos os seus objetivos e planos a fim de adequar-se ao que acreditava ser a vontade de Deus para a sua vida.

Uma Ponte Para a História

Numa manhã ensolarada às margens do Mar da Galiléia, Jesus encontrou-Se com um grupo de pescadores. Ele já havia Se encontrado e conversado com esses pescadores antes. Apesar de terem demonstrado interesse no que tinha para dizer na ocasião, ainda não tinham decidido submeter-se a Cristo completamente. Dessa vez, no entanto, ao ver que tinham tentado pescar a noite toda sem sucesso algum, Jesus os desafiou a tentar mais uma vez. Assim que viram que tinham pegado mais peixe do que a rede podia suportar, Jesus rapidamente mudou de assunto. Convidou-os a praticar um novo tipo de pesca -  sair pelo mundo e pescar homens para o Reino de Deus. Mas, para fazer isso, teriam que deixar tudo que lhes era familiar, inclusive os barcos de pesca.

Aplicando a História (Para Professores)
Divida a classe em quatro grupos e deixe cada grupo responsável por uma das passagens bíblicas abaixo:
Lucas 5:1-11
Mateus 8:18-22
Mateus 9:9
Mateus 19:16-22
Instrua os alunos a lerem a passagem e prepararem uma pequena encenação para ser apresentada à classe. Assim que todos os grupos tiverem encenado a passagem sob sua responsabilidade, pergunte: “O que essas histórias têm em comum? O que Jesus pediu que as pessoas fizessem antes de segui-Lo? Como responderam?”
Em seguida, chame alguns voluntários de cada grupo (dê preferência àqueles que mais se entusiasmaram com a encenação da atividade anterior). Peça ao grupo de voluntários que improvisem uma encenação em que Jesus se aproxima de um adolescente moderno e pede que deixe tudo para trás para segui-Lo. Ao prepararem a encenação, peça que reflitam sobre as seguintes perguntas: “Que coisas Jesus pede que deixemos para trás hoje a fim de segui-Lo? De que forma respondemos ao Seu chamado?”
Após a encenação, inicie uma discussão com a classe a respeito dos tipos de coisas que Jesus pede que deixemos para trás se realmente quisermos segui-Lo. Parece óbvio que nos pediria que deixássemos nossos pecados para trás -  mas quais pecados? Será que é fácil como parece?
Será que Jesus pede que deixemos outras coisas que não são pecaminosas para trás, mas que podem estar atrapalhando nossa comunhão com Ele? (Ver a seção Apresentando o Contexto e o Cenário para obter algumas idéias). Pergunte: “Em sua opinião, o que significa no mundo de hoje ser ‘totalmente submetido’ a Jesus? Será que um jovem totalmente submetido a Jesus pode...
Namorar?
Freqüentar a escola?
Passar tempo com os amigos?
Preparar-se para ir à universidade e formar uma carreira?
Comprar um carro?
Vestir roupas da última moda?
Trabalhar?
De que forma a submissão total a Jesus poderá afetar suas decisões em cada uma dessas áreas da vida? De que maneira Jesus o está chamando a largar as redes e segui-Lo?
Utilize as passagens da seção Versos de Impacto como fontes alternativas relacionadas à lição desta semana.

Apresentando o Contexto e o Cenário

Geralmente, ao pensarmos em deixar tudo para trás para seguir a Jesus, pensamos em abandonar nossa vida de pecado. O criminoso abandona sua vida de crime, o viciado em drogas abandona o vício. As pessoas dão início a uma nova vida quando decidem seguir a Jesus.
Mas os pescadores da história de hoje e os outros personagens cujas experiências foram analisadas na seção Aplicando a História não estavam vivendo uma vida de pecado em particular. Até mesmo Mateus, o cobrador de impostos, estava apenas cumprindo seu dever -  apesar de que, na época, era um trabalho considerado por muitos como sendo pecaminoso e desonroso. Os pescadores estavam ganhando o sustento para manter suas famílias. O discípulo que desejava sepultar o pai estava apenas pedindo para cumprir uma responsabilidade famíliar. O jovem rico era um homem bom que guardava os mandamentos.
Ao longo dos últimos 2.000 anos, os cristãos têm lutado com o que realmente significa deixar tudo para trás para seguir a Jesus. Para os primeiros discípulos, o chamado foi muito claro. Muitos deles, como Pedro e seus amigos, mudaram totalmente de vida. Deixaram o trabalho e a família para viajar pela Galiléia com Jesus. Mesmo depois do retorno de Jesus para o Céu, os discípulos continuaram a se dedicar completamente ao trabalho missionário. A dedicação total naquela época significava arriscar a vida, pois a perseguição era uma realidade sempre presente (assim como hoje em muitas partes do mundo).
Depois que o império romano se “converteu” ao cristianismo e a vida do “cristão” se tornou segura e confortável, os verdadeiros cristãos que se mantiveram firmes aos ensinamentos de Cristo tiveram que fugir e viver uma vida de isolamento e privação no “deserto”, deixando para trás o conforto do lar. Tiveram que se dedicar totalmente à oração, ao estudo da Palavra e à adoração ao verdadeiro Deus. Dentro do cristianismo medieval, nasceu o movimento monástico. Com esse movimento, o ócio e a corrupção aumentaram cada vez mais na vida monástica, embora houvesse alguns monges e freiras que eram verdadeiramente dedicados a uma vida de busca a Deus. Para muitos dos primeiros grupos protestantes, seguir a Jesus significava sofrer punições e até mesmo a morte. Também significava, para alguns, abandonar todas as posses materiais, viver em comunidade com outros crentes e trabalhar em campos missionários em outros países.
Mas, hoje, em pleno século 21, a maioria dos cristãos não precisa se submeter a tais sacrifícios. Infelizmente, para a maioria, seguir a Jesus significa o mesmo que significou para a maior parte dos cristãos ao longo da história -  viver uma vida “normal” com os mesmos bens materiais e os mesmos objetivos do restante da sociedade, falar da boca para fora de nossa “submissão” a Cristo sem permitir que isso cause qualquer diferença séria em nossa vida.
Ao estudar a lição desta semana, desafie os alunos a responderem a seguinte pergunta:
Será que um cristão submetido a Cristo pode viver uma vida “normal”? De que maneira Deus nos chama para sermos diferentes do restante da sociedade? O que Ele deseja que deixemos de lado a fim de segui-Lo?


Atividade
Leve os alunos a refletirem mais uma vez sobre a encenação em que Jesus convida um adolescente moderno a deixar tudo para trás para segui-Lo. Instrua-os a refletirem por alguns minutos, em silêncio e com os olhos fechados, no que Jesus pediria que fizessem se dissesse hoje: “Siga-Me”. Enquanto pensam em silêncio, lembre-os de que Jesus chama cada um de nós para segui-Lo. A submissão total a Jesus tem significados diferentes para cada pessoa; porém, para todas tem o sentido de viver uma vida baseada nos princípios de Deus e não nos valores do mundo. Convide-os a pensarem nisso e encerre com uma oração, pedindo que Deus os ajude a sentir o real significado de segui-Lo completamente.

Resumo

Pedro, André, Tiago e João foram testemunhas de uma demonstração maravilhosa do poder de Jesus. Depois de presenciarem o milagre junto ao Mar da Galiléia, tiveram a certeza de que Ele era o Messias. Também ficaram certos de que Jesus seria capaz de suprir suas necessidades. Perceberam que poderiam confiar nEle. Talvez seja essa a razão de terem se disposto a deixar tudo para trás e segui-Lo. Decidiram largar as redes e os barcos de pesca e começar uma vida totalmente nova.
Jesus ainda nos chama hoje a fazer o mesmo. Pode ser que não esteja pedindo que deixe seu lar neste momento, mas que você decida de uma vez por todas submeter sua vida a Ele e construí-la baseada nos valores celestiais -  dedicação completa a Deus, trabalhar por Ele e pelo próximo, etc. Você terá que trabalhar e pedir que o ajude a compreender o significado do chamado para a sua vida — nem todos os discípulos foram chamados a fazer o mesmo trabalho ou a ter a mesma vida, mas todos foram chamados a mudar de vida, uma vida totalmente submetida e dedicada a Cristo. É para isso que Ele nos chama hoje também.

Dicas Para um Ensino de Primeira Linha
Ilustrações conflitantes
Embora seja muito importante dar exemplos para ilustrar um determinado assunto em discussão, também pode ser muito útil oferecer um exemplo daquilo que não ilustra o assunto que se está ensinando.
Você notará que a ilustração da seção Ensinando fala a respeito de um jovem que pensava que deveria abandonar a carreira política e dedicar-se completamente à obra de Deus. Felizmente, esse jovem buscou o conselho de servos de Deus que o ajudaram a perceber que trabalhar para Deus pode ir muito além do ministério “oficial”. Ele aprendeu que poderia servir a Deus e fazer Sua vontade dentro da carreira política.
Para ensinar o que realmente significa “fazer o trabalho de Deus”, foi preciso desmistificar o conceito de que o ministério oficial é a única maneira de trabalhar para Deus.  

Para quem possui o livro O Desejado de Todas as Nações, a leitura correspondente a este estudo está no capítulo 25.